Proibido Pessoas Perfeitas
Com muita expectativa eu entrei por aquelas portas abertas…
No salão do hotel, um inconfundível lustre pende do teto. Engraçado como aquele glamour típico de hotel se encaixa na aconchegante atmosfera de improvisação.
No púlpito? Uma caixa de madeira, daquelas que se guardam tomates. O público? Somente pessoas imperfeitas.
“Oh Lord, eu estava em casa!”
Saímos de São José às 16h. Entramos no carro, e oramos. Que o Senhor nos guie nessa aventura!
Eu, Andrei e Aruana. Deus nos escolheu a dedo para ir àquele lugar.
A chuva castigava a estrada, estávamos temerosos de encontrar uma cidade alagada. Oramos com fervor naquele carro. E o Senhor nos abençoou. Chegamos sãos e a salvo!
Depois de alguns pequenos momentos de estresse, admito: por alguns minutos pensei que estivéssemos perdidos. Mas não, o Senhor enviou anjos GPS para nos guiar!
Rua Augusta 776, 18h, um grande hotel e, alguns jovens na entrada. Jovens assim como eu e você. Um pouco diferentes do que eu esperava encontrar, admito.
Eu estava acompanhando o site da igreja há algum tempo. Como designer, é impossível passar despercebido pela abordagem pra lá de original na roupagem do que seria uma igreja. Uma igreja emergente, pós-moderna, feita sob medida para São Paulo, e para pessoas imperfeitas da Augusta (e de São José dos Campos também).
Confesso que há algum tempo sou grande admirador do trabalho do Solomon 1 (blog comandado por alguns dos membros da igreja). Ir até a Vineyard Capital era algo que eu planejava há algum tempo, mas até aquele dia não tinha encontrado a oportunidade certa.
Divulgar o Reação 2010 e cativar jovens, para que assim como nós seus corações pudessem bater por um país sem a festa da carne. Aquela era a hora! Fomos em nome do Conexão Livre, entregar alguns materiais nossos e fazer algumas amizades.
Ao chegarmos lá, fui surpreendido por um grupo de jovens, mais especificamente, por um tal de Bidú, que nos recebeu de forma pra lá que acolhedora. Aquele jeito típico de paulistano, sotaque puxado, gírias características. Ou seríamos nós os caipiras de sotaque? Não importa. A primeira impressão foi ótima, fomos acolhidos dentro daquele grande ninho.
Quando o culto começa, essa é a impressão. Estamos em um grande ninho!
Em sua grande maioria, jovens entre seus 20 e 30 anos. Alguns mais velhos, outros mais novos. Muitos cabelos stiles, muitas tatoos, muitos olhos cerrados e oração.
Um silêncio respeitoso…, e uma equipe de louvor, conduzia um ministério cheio de unção.
Na verdade, fico um pouco receoso em usar esses termos, louvor, ministério, unção. Esses substantivos ganham novo nome, ou apenas os perdem em meio a tudo aquilo. Dar nomes de crente ou determinar funções eclesiásticas não parece o foco de tudo aquilo.
proO louvor percorre algumas músicas, com uma adoração autêntica. Vale dar atenção as artes usadas no power point para dar moldura às letras das músicas. Imagens louquíssimas, dessas que preenchem o desktop de gente que gosta de piração. Eu gosto!
Se não fosse pela ajuda de nosso mais novo amigo, o Bidú, seria realmente difícil entender quem é quem em meio a tudo aquilo. Júnior, o pastor, estava mais para vocalista de banda de hardcore.
Jota é um dos fundadores da Vineyard Capital, mas muito facilmente poderia ser alvo de algum crente desavisado, sedento por evangelizar algum maluco no metrô! Os outros integrantes, pelo pouco tempo que fiquei por lá, não tive o prazer de conhecer.
Depois de discorridos quase um quarto do culto, inesperadamente, para minha surpresa, há uma pausa. Um break para tomar uma água e bater um papo.
“Nós fazemos isso para que vocês possam fazer umas amizades aí”, explica o pastor.
Eu me levanto e bebo um copo de água e faço parte de uma brincadeira bem legal. Há um pincel atômico do lado da garrafa, você bebe sua água e deixa seu nome escrito no copo. Ali, temos noção de que tudo aquilo é uma descontraída família.
O culto prossegue com uma tocante pregação, seguida por um momento de intercessão. Sim, Deus definitivamente estava naquilo. Alguns sabores ficaram bem presentes em meu interior. Com certeza aquilo tudo me marcou.
Fui falar com o pastor Júnior e trocamos algumas ideias (todos são excepcionalmente simpáticos). Entreguei uma série de materiais do Conexão Livre a ele. Flyers de séries nossas como a “Liga 40”, “Vou dizer Sim”, além de um box DVD do “O Incomparável”. Ele e Jota demonstraram muito interesse.
Depois de explicar o conceito do Reação, vídeos e fotos do Reação 2009, infelizmente descobri que eles já tinham um retiro (em um centro de reabilitação. “O problema é que talvez alguns de nós não voltem”, brinca Jota), porém, decidiram nos apoiar e divulgar o Reação no seu site.
Muito legal essa parceria. Espero que no futuro o Senhor permita que nós todos possamos trabalhar juntos em algum projeto.
Se fosse para eu definir em poucas palavras o que vi naquele lugar, talvez eu dissesse: “uma igreja alternativa ou um grupo de jovens que cansaram do tradicionalismo”.
Mas nada disso realmente define a Vineyard Capital.
A “Proibido Pessoas Perfeitas” é na verdade um grande refúgio de crentes sinceros. Onde a hipocrisia do “fariseísmo” não tem lugar. Uma grande família que aceita os irmãos como eles são. Uma caverna, daquelas onde cristãos primitivos se reuniam, na calada da noite para poder adorar ao Messias de Israel. Apaixonados por um Jesus verdadeiro e, inevitavelmente, o lugar perfeito para os desolados e destruídos da Capital.
Ah, e de quebra, você ainda dá muita risada, porque a combinação daquelas figuras que não se levam tão a sério faz tudo ter uma boa pitada de humor. Tudo que eu precisava nesse fim de semana.
Se estiver passando pela capital. Fortemente recomendo.
Visite o site: www.vineyardsaopaulo.com
Via Nathan Sanches / Conexão Livre
| Imprimir | Postado por @feernandomatias on February 24, 2010 at 11:08 am, e está em Igreja, coisas legais. Você pode COMENTAR. |
