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	<title>AlternativaSete &#187; gemeos</title>
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		<title>OsGEMEOS, quatro mãos o mesmo traço.</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 14:11:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>@feernandomatias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Rua]]></category>
		<category><![CDATA[Texto]]></category>
		<category><![CDATA[coisas legais]]></category>
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		<description><![CDATA[Criados nas ruas do bairro do Cambuci e impregnados pela cultura Hip Hop, os pioneiros do grafite no Brasil se transformam em um dos (dois) mais interessantes e internacionais artistas do país. &#8220;Desmontar brinquedo, remontar&#8230; Nossa brincadera já era isso que agente faz aqui. Ganhávamos presentes dos nossos pais e tinhamos que ir no fogão,]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.alternativasete.com/blog/wp-content/uploads/2010/01/gemeos.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1338" title="gemeos" src="http://www.alternativasete.com/blog/wp-content/uploads/2010/01/gemeos.jpg" alt="" width="600" height="451" /></a></p>
<p>Criados nas ruas do bairro do Cambuci e impregnados pela cultura Hip Hop, os pioneiros do grafite no Brasil se transformam em um dos (dois) mais interessantes e internacionais artistas do país.</p>
<p>&#8220;Desmontar brinquedo, remontar&#8230; Nossa brincadera já era isso que agente faz aqui. Ganhávamos presentes dos nossos pais e tinhamos que ir no fogão, esquentar a faca, cortar a rodinha, colar de outro jeito, aí sim virava um carrinho de verdade.&#8221; <span id="more-1337"></span></p>
<p>Pautados sempre por esse estado de espírito, que, anos mais tarde, seria sintetizado por Chico Science como &#8220;diversão levada a sério, os irmãos viram as brincaderas de rua se misturarem às praticas relacionadas com uma então emergente cultura urbana. &#8220;A gente cresceu junto com o Hip Hop, que era muito forte na época (final dos anos 80). Existia um grupo chamado Fantastic Breakers, que se reunia na frente da nossa casa, no Cambuci (sampa). Nós começamos a dançar, dançar&#8230; Ficamos fanáticos pelo movimento, tipo é só nisso que a gente acreditava na vida, dançar break, fazer Rap, pintar Grafite, esse é o nosso mundo, e tudo mais que rola em volta não é legal. Só isso era legal.&#8221;</p>
<p><img class="alignnone" src="http://4.bp.blogspot.com/_5dUXPoFoNDI/Svxmv6Ra0wI/AAAAAAAAAaE/plZT4akNJQE/s400/Gemeos3.jpg" alt="" width="323" height="400" /><br />
Naturalmente, acabaram chegando ao epicentro daquela energia, o principal ponto de encontro pra todos os b-boys, DJs, MCs e grafiteiros na segunda metade dos anos 80: &#8220;Quando pisamos ali na (estação do metrô) São Bento, o primeiro cara que agente viu foi o Thaíde. Ele estava de agasalho preto com listras amarelas e chapeuzinho preto&#8221;. Dai em diante as duas estrelas começavam a brilhar, onde o DJ Hum cravou &#8220;OsGEMEOS&#8221; nos dois irmãos.</p>
<p>Vagando entre o mundo da lua e &#8220;tritez&#8221;, seu universo particular, os irmãos conquistaram o mundo com seu exército de Sonho.<br />
Os personagens amarelos, sua marca registrada, habitam hoje os mais variados cantos do planeta e são cobiçados por colecionadores que frequentam o jet set das artes no topo do imperio ocidental.</p>
<p><img class="alignnone" src="http://2.bp.blogspot.com/_5dUXPoFoNDI/SvxlfiYxClI/AAAAAAAAAZc/KN5_-f9I8Tg/s400/Imagem+011.jpg" alt="" width="400" height="278" /><br />
São tambem reconhecidos por qualquer paulistano que tenha reaparado nos muros da cidade nos ultimos 20 anos e por qualquer terráqueo minimamente interessado em arte, seje ela qual for.<br />
Pioneiros do grafite nacional, é por habitarem tanto as ruas quanto as galerias que os irmãos têm sua propria opinião sobre a mistura das duas coisas. &#8220;Arte de rua tem de ser na rua. Não tem outro lugar. Migrou pra para galeria ou museu não é mais arte de rua, mesmo que seja feita por um grafiteiro, com as técnicas usadas num muro. Nas ruas, a arte lida com a transformação, a transferência, o anonimato, o inesperado, as leis, a pressa, as pessoas que passam. No espaço fechado, tem curador, público, expectativa, tempo e permissão.&#8221;</p>
<p>A sintonia que hoje se reflete no processo criativo dos artistas-irmãos é a mesma que, na infância, causou espanto nos professores quando foram separados de classe por excesso de bagunça ou quando ambos ganharam um concurso ao fazerem , separados e simultaneamente, o mesmo desenho. &#8220;Agente desenhava na mesma folha. Pegava o papel e ficava desenhando um monte de coisinhas bem pequeninhas, até completar a folha toda&#8221;.<br />
Sempre foi assim. &#8220;De 93 a 95, entramos juntos numa espécie de autobusca. Todos os dias, desenhávamos no quarto, na casa da nossa mãe. Montamos o espaço da maneira que queriamos para nos sentirmos bem la dentro e todo dia agente pintava à luz de velas, tomava um vinho, ficava ali &#8220;na nossa&#8221; até criar o nosso proprio estilo&#8221;.<br />
Foi ai que a urbanidade extrema começou a dar espaço para um ecosistema mais matuto, retrato do Brasil profundo por excelência. Hoje, o estilo da dupla representa , ao mesmo tempo, o bairro paulistano do Cambuci, onde nasceram e foram criados, o interior do país e , em especial, o Nordeste-sem perder de vista a linhagem historica de grafiteiros que ainda vê os trens do metrô nova-iorquino como algo mitico.<br />
&#8220;A gente começou com amarelo e vermelho, queríamos que as pessoas vissem a cor e já soubessem que era nosso, além do traço. Quando começamos a pintar na rua é que passamos a descobrir São Paulo. Você vai no Brás e tem nordestino ali, vai ao largo da Concordia e tem a história do Nordeste ali, uma criança jogando pião, um cara tocando triângulo, você vai absorvendo essas informações e, sem querer, colocando no trabalho&#8221;.</p>
<p><img class="alignnone" src="http://4.bp.blogspot.com/_5dUXPoFoNDI/SvxlVazAkdI/AAAAAAAAAZU/VFOGiWxQnNc/s400/27484197_68a2291c1d.jpg" alt="" width="400" height="300" /></p>
<p>VERTIGEM.</p>
<p>A chamada STREET ART (arte de rua), no entanto, assim como as discussões sobre o grafite estar nos muros ou na galeria, são idéias cada vez mais distantes do trabalho atual do irmãos Gustavo e Otavio PANDOLFO, OsGEMEOS, que ja esteve em São Paulo, Curitiba e agora esta no Rio a mostra de arte &#8220;VERTIGEM&#8221;.<br />
&#8220;Vertigem&#8221;, portanto não é exatamente uma mostra de arte de rua. Tampouco de grafite ou escultura, apesar de exibir os dois suportes. O que a dupla produz hoje não comporta classificações nem nomenclatura exata. São artistas. Do Spray, da madeira, das lantejoulas. Da técnica e do autodidatismo. Da rua e do museu. Do Hip Hop, do samba, do maracatu. De São Paulo e do Mundo.<br />
&#8220;Nossa arte transcende ser contemplativa ou conceitual. É um pedaço do filme que passa nas nossas cabeças&#8221;, sem que jamais um atropele a fala do outro. Otavio complementa o raciocínio iniciado por Gustavo, e vice-versa. Numa entrevista, fica praticamente impossível identificar quem diz o que. &#8220;Eu no que ele fala e ele confia no que eu falo. Ele é minha terapia, e eu sou a terapia dele. Agente não conversa muito. Só se olha e ja sabe.&#8221;</p>
<p>Independente de tudo, se não for para boas obras, se não for para o bem, para impactar, para sonhar, para deslumbrar, intervir, refletir e formar a verdadeira arte, de nada valerá. &#8211; Israel Freschi.</p>
<p>Do que vale o homem ganhar o Mundo inteiro e perder a sua alma? Lucas 9.25</p>
<p>Materia: Israel Freschi.</p>
<p>Fonte: Folha de São Paulo / studiourbano</p>
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