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	<title>AlternativaSete &#187; arte de rua</title>
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		<title>A metrópole pulsa com pixação e arte</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Mar 2010 14:54:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>@feernandomatias</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes]]></category>
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		<description><![CDATA[Neste ano acontecerá em São Paulo a 1ª Bienal Internacional de Arte de Rua, com obras de pixadores – um tema polêmico e pouco compreendido pela população A grafia com “x” se refere à pichação contemporânea, que é alvo desta matéria. Fruto de um provável erro de escrita, essa grafia é reivindicada pelos pixadores para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><a href="http://www.alternativasete.com/blog/2010/03/pixacione/"><img class="aligncenter size-full wp-image-1654" title="pixos" src="http://www.alternativasete.com/blog/wp-content/uploads/2010/03/pixos.jpg" alt="" width="585" height="285" /></a></div>
<div><em><br />
Neste ano acontecerá em São Paulo a 1ª Bienal Internacional de Arte de Rua, com obras de pixadores – um tema polêmico e pouco compreendido pela população</em></div>
<p><span id="more-1653"></span></p>
<div>
<div>A grafia com “x” se refere à pichação contemporânea, que é alvo desta matéria. Fruto de um provável erro de escrita, essa grafia é reivindicada pelos pixadores para se diferenciar das pichações políticas (mais comuns durante a ditadura), do movimento punk e de propaganda.</div>
<div>Acada noite, grupos de jovens saem da periferia em direção ao centro da cidade.</div>
<div>Assustam pela agressividade da escrita, pela impossibilidade de compreensão, pela proximidade que chegam às janelas de lares que se consideravam protegidos e pela capacidade de subverter sistemas de segurança. Nada levam, só deixam sua marca.</div>
<div>Tratada sempre como vandalismo, a pixação resolveu invadir o circuito de arte para dizer que esse é seu lugar – queiram ou não. A partir da iniciativa de um pequeno grupo de pixadores que adotou a concepção de pixo como intervenção estética, ocorreu uma série de ações que tinha como objetivo questionar a arte contemporânea e cobrar reconhecimento.</div>
<div>Presente em São Paulo há cerca de 30 anos e com uma quantidade de intervenções enorme, pode se dizer que a pixação é onipresente. No entanto, os debates acerca de seus significados e causas são escassos. Tida como um problema social, crime previsto no código penal, ela é reflexo da aguda desigualdade social da cidade mais rica do país. O jovem da periferia que sai para pixar carece de infraestrutura onde mora, educação básica, lazer e comumente tem problemas na família – motivos que leva os levam a ter em seus colegas uma segunda família e a pixação como lazer e válvula de escape. De acordo com Choque, fotojornalista que prepara um livro sobre o tema, “os pixadores preferem ser odiados pela sociedade a serem ignorados. É um desespero sem fim”.</div>
<div><strong>Entrando em cena</strong></div>
<div>O cenário mudou em 2008, quando ocorreram ataques de pixadores a instituições de arte, gerando ampla repercussão na mídia. O estranhamento e o medo que a prática causa na maioria da sociedade foram as armas utilizadas para despertar o debate sobre a intervenção. “Se não chocar, o protesto não tem o mesmo impacto”, explica Cripta Djan, pixador há 13 anos e um dos mentores das ações: “A pixação em sí já choca, e usá-la junto com protesto é uma combinação perfeita. Provamos isso ao virarmos pauta nacional.”</div>
<div>Os alvos das intervenções foram o Centro Universitário Belas Artes, a Galeria Choque Cultural e a Bienal de Arte de São Paulo. Antes das ações, uma convocação foi distribuída nos points (locais de encontro de pixadores) pedindo que se resgatasse frases de protesto. No convite, lia-se a célebre frase “arte como crime, crime como arte” do escritor estadunidense Hakim Bey. Foi assim que, em média, 40 jovens compareceram e invadiram as instituições culturais, pixando o máximo possível.</div>
<div>Para Sérgio Franco, sociólogo com mestrado pela Faculdade de Urbanismo e Arquitetura da USP, as ações foram muito significativas, uma vez que atacaram “os três campos que definem o que pode ser considerado arte e garantem a sobrevivência do artista: galeria, lugar da comercialização; faculdade, local da formação e Bienal, que é o lugar da consagração”. No caso da Bienal, Franco aponta que a ação dos pixadores recebeu mais atenção da mídia que o próprio evento em si e mobilizou mais setores do que ele poderia ter feito.</div>
<div>Os ataques contaram com o registro de Choque, que explica dois objetivos das ações: “legitimar a pixação de São Paulo como a maior intervenção urbana artística que já existiu neste planeta, em termos sócio-políticos e de abrangência espacial” e “mostrar como os modelos de instituições artísticas brasileiras estão ultrapassados”. O fotógrafo</div>
<div>compara tais espaços com museus “que vivem somente do passado” e que estão “em descompasso com a realidade do país e por isso não são mais capazes de reconhecer novos tipos de expressões artísticas e nem de analisar seus contextos”. Como prova disso, aponta a reação das instituições “ao entrarem em contato com uma intervenção artística que não compreendem”.</div>
<div>Nos três casos, as instituições moveram ações contra os pixadores, todas ainda em aberto na Justiça. A Belas Artes expulsou Rafael Pixobomb, estudante que estava envolvido no ataque e tido como o principal mentor. A ação fazia parte do seu trabalho de conclusão de curso. Durante a intervenção da Bienal, apenas Caroline Pivetta foi presa, ficou encarcerada por 52 dias – o período mais longo que um pixador ficou detido</div>
<div>no país – e agora aguarda julgamento em liberdade. Tanto Rafael quanto Caroline não falam à imprensa, por orientação de seus advogados.</div>
<div><strong>Pixo-arte</strong></div>
<div>As intervenções ocorridas no ano de 2008 não são a primeira tentativa de legitimar o  pixo enquanto arte, mas certamente representam o episódio que teve maior repercussão na sociedade, avaliam os próprios pixadores. Entretanto, nem todos eles têm a mesma visão sobre o assunto. A intervenção feita na cidade não tem pretensões artísticas. Os pixadores são movidos pela adrenalina da transgressão e pela disputa de espaço na cidade.</div>
<div>Para Djan, “a verdadeira arte tem que ser feita de coração, sem pretensão financeira e com o papel de transgredir, de contestar”. Sua visão vai ao encontro da visão de Mundano, grafiteiro conhecido por frases de protesto pela cidade, para quem “já faz muitos anos que o concreto virou suporte para uma nova modalidade de pintura” e crê que há décadas não surge um “movimento artístico tão forte, original e nacional”. Assim como Djan, Mundano cobra uma postura dos artistas que atualmente “fazem pouco ou nada pelo bem coletivo”.</div>
<div>Ainda que nem todos os pixadores compartilhem tal concepção sobre arte e pixo o que</div>
<div>Djan atribui a uma limitação no repertório cultura desses jovens um manifesto lançado por um grupo de pixadores esclarece: “de tudo que estudamos até hoje sobre arte, a melhor definição que escutamos veio da boca de um maloqueiro: arte é nada mais nada menos que um diálogo transposto para um suporte físico” e adiciona: “na atual configuração social, a verdadeira manifestação artística é aquela que é em prol do social, que retrata a experiência dos excluídos, uma experiência coletiva que atualmente é global”.</div>
<div>O diálogo desenvolvido pela pixação é fechado e sua compreensão só é possível por membros do movimento, que além de entenderem o que se escreve, são capazes de identificar o autor. Choque chama atenção para a tipografia criada por eles, que considera “muito original, sofisticada, de complexo entendimento e, acima de tudo, marginal”, tendo como autores jovens “que não possuem um repertório de conhecimento vasto e muito menos tiveram educação formal”. Na gênese</div>
<div>dessa criação, estão trabalhos feitos nos anos 80 com nomes de bandas de heavy metal e punk, que, por sua vez, utilizavam caracteres criados a partir do alfabeto rúnico dos povos bárbaros europeus.</div>
<div>“É intrigante pensar que esta escrita de milhares de anos atrás ressurgiu aqui em São  Paulo, através de seus próprios povos bárbaros: os pixadores”, comenta Choque. A escrita chega a ser incompreensível para quem está de fora, mas Djan conta um caso inverso: um pixador que é analfabeto mas que escreve e lê o pixo.</div>
<div>A classificação da iniciativa como manifestação artística causa estranhamento na maioria das pessoas, uma vez que é comumente associada ao vandalismo. Entretanto, já atrai atenção de designers gráficos pela complexidade da tipografia criada, de artistas plásticos e de interessados em arte de rua – campo em geral monopolizado pelo</div>
<div>graffiti. Em 2009, a Fundação Cartier, de Paris, fez uma retrospectiva do graffiti mundial e abriu espaço para a pixação paulistana – inclusive com intervenções de Djan nas paredes. No final deste ano acontecerá em São Paulo a 1ª Bienal Internacional</div>
<div>de Arte de Rua de São Paulo, com a participação de pixadores como Pinguim do grupo 8º Batalhão, Tatei do Túmulos e Ivan do Trolhas. Sob a coordenação do artista plástico Rui Amaral, um grupo de oito artistas de rua formarão a curadoria da Bienal, que terá exposição no Museu de Arte Contemporânea e intervenções na cidade, além de oficinas, debates e exposição de vídeos.</div>
<div><strong>Linguagem própria</strong></div>
<div>A resistência da sociedade e de grande parte do meio artístico à pixação é considerada por Sérgio Franco fundamental para romper paradigmas e estabelecer um novo dilema: “sem essa insatisfação, ela não teria capacidade de ser uma ruptura [na arte]”. Para o estudioso, a pixação é a possibilidade na história da arte ocidental do povo ser autor, criando uma linguagem própria. Entretanto, ele aponta que é necessário que surja um sujeito que venha da pixação, agregue capital cultural para elaborar um projeto autoral e se insira nos debates que ocorrem dentro do meio artístico. Franco aponta que, até onde tem conhecimento, Rafael Pixobomb é o único que possui um projeto e por isso tem condições de dar um passo em relação a tudo que foi feito e estabelecer um marco.</div>
<div>A possibilidade do pixador se tornar um artista reconhecido traz incertezas para quem acompanha a questão. O pixo para ser reconhecido enquanto tal, se associa a um determinado universo, e, se estivesse dentro do museu ou galeria, estaria descolado de seu contexto. A iniciativa envolve uma série de características: “rolês” (saídas) pela noite para pixar; disputa por espaço na cidade; conduta, em especial o respeito, que devem seguir; grupos que se formam para pixar; points e festas onde se reúnem; e, sobretudo, o caráter transgressor da prática. Mundano resume: “graffiti e pixo é só ilegal na rua”, fora disso é outra coisa. Franco crê que “uma vez dentro do circuito de arte, não seria mais um pixador, e sim alguém que se apropriou daquele repertório para criar algo novo”. Entrar no meio artístico, para Djan, é algo muito perigoso pelo risco de cooptação. “Os pixadores devem ter postura, não se vender para conservar sua essência e devem usar o pixo para contestar sempre”.</div>
</div>
<div>Via Terra/carosamigos</div>
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